BELCHIOR NAS PARALELAS

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Belchior me fez pensar boas coisas. Produziu raciocínio saudável em melodias agradáveis. Depois do sumiço, o buchicho, mas ninguém sabe os reais detalhes dessas coisas. É mais sensato pensar que o produtor de ideias sofre os conflitos que isso gera; e nessa hora ele tá sozinho. E essa ideia de isolar-se de tudo não é tão estranha assim.

A não ser para os que estão enfronhados nesse sistema infernal e nem se dá conta disso, porque é inconsciente. Acho fácil entender o desejo de estar sozinho e o cansaço, porém difícil que um artista consiga viver bem sem compartilhar o que faz, mesmo que usasse um pseudônimo, sei lá…

A arte é pública por sua própria natureza, e pune o artista que tenta aprisiona-la em seu universo particular com esvaziamento da criatividade. O próximo passo seria abdicar de sua própria condição; e não sei se o artista tem esse poder. Vandré também sumiu, mas nesse caso. pelo que li em depoimentos, me pareceu que ele teve realmente uma síndrome de pânico ou algo parecido; nada que não pudesse acontecer a qualquer pessoa. O número de pessoas que sofrem esse tipo de paranoia é muito maior do que a gente pensa, mas no caso de uma personalidade pública, isso toma dimensão específica. Os discursos deles, junto ao que lhes custou por serem verdadeiros, estão ai.

A gente se sente egoísta quando reclama a falta do que poderiam criar pra nosso deleite, da mesma forma que eles quando somem. Mas a voz do povo, numa parceria com a mídia infame, são os piores inimigos dos que servem ao coletivo. E sumir, nesse caso, pode ser a mais moderada das alternativas. Sejam quais forem as razões porque somem, agora é o momento em que se percebe quem realmente interagiu com esse discurso ou não. Pra quem ouve Luan Santana, pouca diferença faz…


Some não…

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Beijos fraternos, fortes abraços

Cleofas Bezerra

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Cultfolio Produção de cultura

Projeto Mãos na Lagoa

Cerâmicas da Vila Barroló

3 thoughts to “BELCHIOR NAS PARALELAS”

  1. Quase tudo que vivi e senti na arte até meus 18 anos, devo ao meu querido Belchior. Pensei, senti, falei e agi através de suas canções. E como nada acontece por acaso, tive a alegria e a honra de seu olhar sobre meu trabalho anos mais tarde. Sua saída de cena me causou e ainda causa muita tristeza e isso também me faz um pouco egoísta. Porem, hoje, estranhamente, esses fatos me traz ainda mais admiração por ele (“como é perversa a juventude do meu coração. Que só entende o que é cruel, o que é paixão”). Artista é mesmo assim, não cabe julgamento. Eu continuo aqui, batendo e apanhando muito e por alguns momentos não estou ou não quero estar em lugar nenhum, mas realmente, pra quem ouve Luan Santana, isso faz pouca diferença…

    1. É, cara. Os artistas e as árvores tem um tempo e um modo de produzir. Isso envolve alegria e aflição, dois elementos essenciais em todo processo de produção. A poesia de Belchior entra no ambiente doméstico da nossa cabeça e reflete os conflitos diários e comuns de quem se propõe a pensar no que realmente quer ser no mundo. Muito fazem isso, de alguma forma, mas nunca como Geraldo Vandré e Belchior. A arte a tudo resiste, mas o artista, não. Talvez por isso não estejam tão confortáveis na mídia…

      1. Cometi uma falta: Me esqueci de mencionar o gênio da improvisação e expoente da poesia desmascarada, que nos torna mais digna a tarefa de ser brasileiros no mundo branco: Tom Zé. Obrigado, Tom Zé.

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