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ECOLOGIA PERDE ESPAÇO ARTIFICIALISMO EM ALTA

O DISCURSO DA GANSA
A ECOLOGIA É UMA CONFUSÃO
NO DISCURSO DA NATUREZA


Proponho a palavra ecologia como um saber abrangente e essencial à vida. O artificialismo está cada dia mais forte, como alternativa às necessidades reais, desafiando o discurso naturalista com eficácia, impondo o consumo de sintéticos e escravizando as pessoas na busca do poder de compra de um conforto caro e incapaz de torna-las felizes.

Ele se anuncia com brados, enquanto se fala muito em ser natural. A síntese de elementos que produzem efeitos imitadores conseguem ser mais apelativos, pela força de mercado, em função de tecnologia. Mesmo que se negue, relute e resista a isso, ao se escolher viver de modo mais natural, fica evidente o quanto somos mal resolvido em relação ao assunto. Discursa-se muito, vende-se muitas palestras e eventos, mas a cada dia torna-se mais confortável socialmente resignar-se ao artificialismo.

Uma cena bizarra iniciou em mim esta reflexão. Descia rumo ao córrego para meu banho matinal, ainda sonolento, quando vi minha gansa aninhada em lugar diferente. Cutuquei o bicho e lá estava, embaixo dela uma bola de basebol que alguém esqueceu aqui na vila. Eis o discurso da gansa sobre o quanto sou natural…

Bem, conduzi minha gansa de volta ao seu labor maternal e comecei a pensar na intromissão da fábrica em minha vida. Talvez isso me leve a pensar que, ao tomar uma coca-cola pra matar a sede, é como se estivesse tentando quebrar uma bola de basebol e fritar isso pra comer. No mínimo, é uma cena muito estranha, até engraçada, se não fosse trágica. Achei interessante essa conversa, como reflexão obrigatória pra quem pensa em qualidade de vida.

Perguntei-me o que teria atraído o animal a confundir uma bola com o fruto de seu ventre. Parece bobagem, mas ainda não havia imaginado que isso pudesse acontecer. Ocorreu-me que a estética da bola é mais rica em detalhes do que a lisura do ovo (bordados, logotipos), mas um ovo deveria ser, inconfundivelmente, mais belo pra ela.

Comparei isso com a ilusão do consumo, a breguice do recado comercial que impregna a imagem da bola. Mesmo que eu tivesse simpatia por esse objeto (não é o caso), seria por causa de valores muito equivocados, ambição de conquista, competitividade, etc. Esse tipo de consenso geral patético que aceita como não-patológico (e até saudável) torcer por times de futebol.

Vi como um flagrante que humilha os seres humanos, que a gansa confundisse isso com um ovo. O substituição do natural se atreve a me confrontar em situações inimagináveis, porque as pessoas estão com as portas abertas pra ele. Isso me atinge, porque sou obrigado a viver esbarrando com isso e me negando a aceitar o tempo todo. A gente anda muito traumatizada com essa invasão, é um problema que angustia, porque fica evidente a aprovação geral da preferência pelo artificial no ambiente.

Talvez, vc ainda não tenha se dado conta da dimensão desse problema. Talvez até ainda ache ridículo, como era comum algum tempo atrás, falar sobre ecologia. Não se martirize, isso não é tão absurdo, porque os modismos tem mesmo impedido o avanço dessa ideia. Embora haja muita gente séria envolvida com o tema, o fanatismo banaliza o problema e só favorecem a venda dos laboratórios de vida sintética. Mas essa luta terá melhor resultado em nível pessoal, quanto maior for o desejo razoável e honesto de viver melhor em nossa cabeça.

A FALSA ECOLOGIA
OS VENDEDORES DE ESTEREÓTIPOS


A moda ecológica, a fantasia do naturismo, a agitação do estereótipo agroecológico é uma onda criada pelas tais ecovilas, mais interessadas no comércio de conteúdo, que só atrapalham o processo. Mas há quem lute mesmo por isso, cientes de que o problema é consequência de uma educação desenvolvimentista, uma doença social que deve ser tratada com gravidade em nossas casas, que isso é um obstáculo real na construção de nosso futuro.

O fato é que o quadro não é animador, não há bons sinais de avanço, ao contrário, a sensação é de que isto é uma causa perdida. Fica óbvio que o consumo está impregnado em todos. A questão não é ser ou não, mas o quanto se é artificial. Então, aquela cena, em meu pensamento, rompeu momentaneamente certos véus dessas sacralidades ideológicas como naturismo e ecologismo. É evidente que falta poder no movimento contra a falsificação da vida.

O comportamento do bicho me cobrou responsabilidade, como participante do processo que acontece em meu lar. Por mais que não o deseje, sem fazer drama, ainda uso muita coisa artificial. Mas estou firmemente desejoso de viver de modo mais natural e tenho que ser tolerante em relação ao meu pequeno progresso, porque a força da coisa é muito grande. É muito difícil vencer tal invasão, uma meta utópica.

Não que isso me assuste, diante de tanta caretice e mediocridade, tudo o que me resta é ser utópico. Agora veja, a essa altura, proponho um novo quadro: a palavra utopia está se contorcendo em trabalho de parto. Está vindo aí uma nova geração de utopistas. Não se trata de uma coisa tão global, é mais individualizada, como se eu dissesse: farei de meu mundo particular, a minha utopia pessoal.

Cada vez mais, pessoas estão se alienando em busca de construir seus paraísos particulares. E isso é um modo de prevalecer, porque é com pensamentos como este que a gente segue, os utopistas de plantão, entre tapas e beijos com as leis ambientais e soprando qualquer sinal de fumaça contra o êxodo rural. Sim, acreditamos nisso, a despeito de tudo, mesmo porque, não temos outra opção. Faça isso você também!


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PSEUDO ECOLOGISTAS (SONETO ECOLÓGICO DE RUBÉN SADA)

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