JABUTICABA DO JARDIM DE GERALDO

Jabuticaba, mas dizem que vive duzentos anos, e Jabu viveu por ai, viveu mais do que gente. Mas tudo caba; e cabô, que nem boi fica velho e gente também. Jabu era vistosa, floridinha, dava doce toda vida. Mas tempo veio, e disse pra ela cabá. Agora tá só o toco, cheio de coisas penduradas.

Quando Jabu floria, gente subia nela, no jardim das bolinhas pretas. Pocava aquilo nos dentes e as coisas fluíam sonho no pensamento. Era sonho que Jabu ticava, e menino e mulata fazia festa, e das bolinhas de Jabu, não ficava nada. Mas Jabu ficava sempre, e lá, sempre Jabu ticava.

jabuticaba
Jabu e Jabuti na beira do igarapé do Geraldo

O JARDIM DE GERALDO


Geraldo era um homem rico, mas aposto que não sabia, que nem dono de tudo, quem mora em beira de igarapé. Lá era o nome de rio, água que anima gente, o igarapé do Geraldo. A turma ai é grande, tem todo tipo de nome: Bambu, mutum, tamboril, ingazeira; jambo, cipó e passarada.

Mais acima, onde acaba o morrinho, tinha uma arvorezinha. Cresceu meio tombada pra menino subir na galhada. Ela nasceu ao lado do bambuzal, no jardim do Geraldo, onde o igarapé ficava.  Bambu bom companheiro, ajuda as árvores, nos passeios pelo sol. Chupa água pelos canos e distribui pela terra, mas ninguém nem lembra disso, que um tanto de árvore é molhado.

Mulata e menino nada disso pensam; é o lugar da barulhada. Ai, quando vem menino comer fruta trepado na árvore, vó grita que broto não pode quebrar na galhada. Mas tudo é festa, que nem ralhar com mulata, é tudo meninada. Todo mundo vai pra Jabu, pro cheiro de felicidade, mas Jabu também acaba.

O nome dela era Jabu.  Ela dava fruto preto, feito em bolinhas doces. Não foi gente; foi passarinho que plantou. Árvore que demora dar fruto e não corre pra nada. Quem viu o começo dela, já cabô há muitos anos, era vovô e vovó, quem sabe até mais tempo. Ai eu pensei: se aparecer todas as pessoas que subiram nessa árvore, o mundo não caberia tanta gente! Um dia eu vi o sinal; que o tempo dela chegou. Podei aqui e ali, mas vi que Jabu acabava. Cuidei de tudo que pude, pra ver se ainda floria, mas não teve jeito.

Jabu deixou todo mundo e foi pra outra semente. Muita gente planta árvores, mas mata muitas também.  Isso não vence o tanto de gente que nasce no mundo todo dia. Tomara que passarinhos estejam plantando por ai. Porque, se há coisa que se precise, é ter árvore doce pra subir. Além de dar tanta fruta, Jabu ainda deixou um pensamento: bom ter árvore no quintal! E Jabu foi muito, mas até jabuti caba. Jabu ticava sempre; e sempre jabuticaba, mas não mais. Jabu cabô.


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