samaroto

REVOLUÇÃO, EM TUPINIQUIM, QUER DIZER GENTE

QUERO DIZER, REVOLUÇÃO…

Acho que vou dizer isso, já dizendo.

♫… Eu vou lhe dar uma dica do jeito brasileirinho
Seja um caboclo maneiro, nada de contracultura
Não seja limão azedo nem araticum de espinho
E não vá dizer besteira contra essa mamadura…♫

Ando pensando no significado do ser revolucionário, particularmente, nesse momento em meu país. Penso em gente, basicamente. Gente, de algum modo, sempre é interessante, grande maioria de jovens. Penso em gente que diz idiotices em defesa de um ou de outro lado no quadro político, como se fosse plausível um voto em qualquer dos nomes propostos. Gente andando no rabo da história.

 

Revolução, em tupiniquim
Acorda, Zé Brasil!…

 

Sim, mas, e se for com gente que se faz revolução?… que fiasco, que desânimo, que perigo de vexame!… Eu tenho medo do vexame. E gosto de ter medo de não ter vergonha na cara, de não ver solução, de aceitar barganhas com bandidos que se fazem heróis pela própria retórica populista e apelativa. Retorço-me pelo alheio vexame de gente que expõe seus nomes e reputações a esse ridículo, pululando bandeiras em espúrios acordos de ladrões de farinha nas latas de indigentes. Talvez pensem que são revolucionários… sim, isso é possível.

Retorço-me porque, afinal, é meu povo! São meus brasileiros conterrâneos, isso soa insistente a todo momento em meu dia. De algum modo, devo uma relação de profundo respeito a essas pessoas que parecem tão apaixonadas pelo bêbado da calçada, já sem roupa, sem honra e sem nação. Assim é que acham fôlego pra ainda gritarem nomes de indigentes morais vestidos a caráter, como se a roupa cobrisse a derrota de suas trajetórias pessoais. Valorizam a inteligência medíocre, a sagacidade fula de um homem da cobra, batendo na mala, como se houvesse ali, uma solução revolucionária.

Sim, eu me pergunto, o que é revolução, o que é política e o que é ser gente. Talvez isso termine em que volte pra dentro de mim mesmo, quando os cabelos de minha cabeça seriam a cobertura de uma caverna onde viveria pra sempre… seria fuga fácil e covarde. Não, não tenho esse direito, assim como não têm o direito de criticar o Brasil, os que fugiram daqui pra lamber os restos da mesa dos nossos opressores. E, de lá, vociferam a ingenuidade de meu povo. Eu não lhes daria esse ouvido, seria um vexame pessoal ouvi-los sem retrucar.

Enfim, voltando à nossa revolução, tenho me perguntado se é estúpido pensar que há uma delas na barriga do Brasil. Que estamos grávidos de uma guerra civil… tomara! Seria um lampejo de hombridade nesse universo tupiniquim. Mas é plausível pensar nisso? É conveniente usar essa palavra, revolução, para uma massa que ainda dedica tempo em analisar se opta por Lula ou Bolsonaro? Não sei, porque ainda estou perguntando o que é revolução… insisto a toda gente: o que é revolução?

Nas páginas antigas dos noticiários jaz um povo mais consciente e politizado, uma geração que se foi e levou consigo o saber esta resposta. Seus filhos, que os acompanhavam nos porões das faculdades, perderam o discurso de valor da estética cultural genuína, a sintonia das artes, o ânimo da reflexão. O que se falava do Jeca Tatu, o tabaréu, que não conseguia interessar-se pelo significado da poesia, invadido pelo ostracismo e miséria, é a face dos atuais universitários. Quem te viu e quem te vê, moço da escola… diga-me, jovem, o que é revolução?

Mas não quero espezinhar meus jovens conterrâneos. Reconheço que a estratégia dos opressores foi muito bem elaborada. Eles são fortes, mais do que eu, mais do que qualquer gente, só não são mais fortes do que gente reunida fazendo revolução… Ainda que lograram sucesso em que nossos universitários não sejam capazes de entender um texto mais complexo, o discurso por trás de uma canção ou a força política de uma cena, sigo perguntando, podemos reverter esse processo? Claro! Porque isso é o que faz gente e revolução… tudo o que eles não querem, digo, os lulas e os bolsonaros, agentes autorizados pelo MEC, das aulas de OSPB e Moral e Cívica. Depois de assimilada a conveniência de ficar calado, eles falam em pacifismo, com o exato significado que eles querem: pseudoprogressismo.

Enfim, ao fim, como não é próprio nem retórico pedir desculpas, mas é o que peço aos jovenzinhos brasileiros aos quais amo. Enfim, amo a todos os meus brasileiros, e não quero humilhar ninguém, nem mesmo os sexagenários medíocres, essência dessa vergonha, por terem vivido tempos melhores e nada terem a dizer. Nesse tempo, quando eram jovens, deviam estar calados e omissos no meio da multidão reflexiva. Cá, bem intimamente, é uma cena deprimente esta, um sexagenário a levantar bandeiras no atual universo da política. Estes, por mais que os amemos, nunca saberão nos ensinar a revolução…

Bezerra A.

 

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