CURSOS E DISCURSOS

POESIA QUADRADA 101215/4
DOS RIOS E DO MAR

Porque os rios mantêm um canto vivaz, mistério de gente? Por que tanto correm, permanecendo no lugar?… Rio são firmes! E, se gente vem a saber disso, tem a pergunta, não a resposta. Isto não é simplório: é o mistério da vivacidade…

o que me disse a lua, governando a noite? Bom conhecimento é o que se esconde. Então, fui, e fiquei um tempo, olhando a transparência trêmula das águas do igarapé. Ali, vi as coisas do tempo que foram antes do tempo…

Quis saber disso, e se podia, de fato, achar ali, olhando a correnteza, o porquê do mar ser o lugar aonde tudo não está. Sim, porque o mar é onde tudo inexiste. Chamem-no Hades, a este mar, e encha-se, seu abismo, dos finais das histórias…

Relembre, este depositário, no mover de suas ondas, a esta morte, sua amiga, que se esconde nas suas recâmaras, com intimidade. Esta sorte com quem os tantos enquantos, ingenuamente, se deitam no calor de suas areias, e  se envolvem com seus lençóis de sal…

Esquecem que os rios são pulsantes de vida, e que que o mar é pulsante da morte. Sim, lá é aonde todas as felicidades terminam, esvaziadas do vigor. Tudo inexiste na cova de sal…

O mar se revolve, e devolve, continuamente, em lembranças, os finais que devora. Regurgita nos colos dos seus incautos circundantes, enquanto, o rio lhes oferece o canto perseverante da corrente elétrica de vivacidade.

O mar, não por acaso, foi construído abaixo de todos as águas, para que o abissal fosse uma cova, e o mar, o coveiro. Mas, gentes sejam rios que deslizam pedras, somando e subtraindo, dividindo e multiplicando, nascendo e frutificando. Rios sejam gentes que vivem, abundam em mananciais dessa música.

Seja isto a voz de uma multidão vibrante, e o mar, sussurro sombrio de tempestades avassaladoras. Abarquem-se vidas, em formas crustáceas, escamosas e larvárias, entre estes dois expoentes.

Estas são as falas das águas: rios são magros e silenciosos, massas energéticas. O mar é o depositário de todas as impurezas da terra… gentes que fluem rios, vivos peixes, conservam-se em água doce, onde conhecem o íntimo da felicidade aos ouvidos, escutando pedras, locas, raízes e restos de árvores em fendas que se abrem no solo.

São estas as curvas das belezas que fazem os caminhos dos rios. E gentes hão de ter quedas, e de explodirem em apaixonadas cachoeiras! Não obstante, gentes planas são rios quietos, sem cachoeiras, que não vivem intensamente…

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