FEITO SARAU NOSSA MOSTRA

FEITO SARAU NOSSA MOSTRA

E essa mostra? É um sarau? Não, não… Quero dizer, sim, sim… E que, se a terra é uma pessoa, e eu sou a alma dela, frequentemente, não ter sentido, é sentir o que diz…

Comi a lua, nasci o sol, de manhã. Na soleira do barraco, importa onde moro. E João, o de barro, também fez. Ele inventou: ao contrário, eu sei o jeito de morar. Comi o tempos, nasci água, dela vestido. Desci a isto entre os grãos, e morri semente, surgi a irmã do sol.

Não havia endereço, e fui a este lugar. estava lá um sonho cuja moldura eram ‎mãos. ‎Desse trabalho, eu vi as pessoas que, olhando em conjunto, dentro e fora do objeto, assim formavam o lugar…‎

OS COME-LUA ‎
Terra, madeira e ferro, pelas unhas, fazendo a forma destas coisas que pensou, cavando o que significa, perguntando-se sobre o verbo morar. Botou letra em papel,  que imprimiu em corda, pele, pau e voz, para não esquecer de cantar. Que há duas coisas que não param nunca: canto de lavadeira, no lajedo, e da água do igarapé.

O medo é meu, como é seu, também… quem não tem? Então, faz cara firme: não chora, fala logo! Alto e claro, que refinamento também mata. Violência, não raro, veste-se de educação, erudição e lorota de ‎bem-‎suceder. Educação é forma de matar, diz a canção.

CABRIOLA, CANTORIA E DANÇARIA,

Mas tem dor de passarinho…‎

Essa mostra, a primeira depois que virou Vila Barroló, portanto, é um sarau de experiências caseiras.

O povo mineiro tem sua graça no jeito dele, tem seus problemas e seus desafios. Barroló é mineira também, mas tem quem vem de um lado e de outro. É isso que desenha, escreve esculpe e modela. E agora vai mostrar…

De modo que, pra quem nasceu e se criou no miolo da urbe, no meio da muvuca, e vem pra meio do mato, tem de lidar com o jeito discreto dos roceiros, por quem temos muito respeito e admiração. Mas, esse silêncio que se acometeu sobre essa gente é uma cicatriz da ditadura…

Acostumou-se, o povo do pau brasil, a ver, não gostar e se calar. Tinha que ser, se não ia preso. Então, a resignação veio pro cerrado, o pessoal tá meio tímido, e tudo vê em silêncio.

Cala-se que, acima de tudo, há crimes acontecendo, cotidianamente. Mas o que se denuncia? Talvez alguém queira saber que das fruteiras que estão morrendo por causa da chuva de veneno ‎no teto de nossas casas. É que, aqui no mato, sem que haja altura na voz, ‎nos mandam esse desaforo. É devastação, etanologismo no cerrado mineiro. E a da boa causa, não se foge.

Quando barroló chegou por aqui, os nativos a acharam estranha. Era muito diferente.. Mas amizade veio cantar a dor de passarinho.

Barroló é popular e querida, a não ser por aqueles que querem o mato deserto, pra que façam o que bem entendem… É tempo de valorizar o que é nosso, nossa casa, o cerrado, seus bichos, suas águas, suas árvores, e mostrar a eles que nos importamos… De modo que, somos parceiros, e nos juntamos a eles na luta contra a usina, enterrando árvores e construções e os pivôs gigantescos matando igarapés, etc.

Essa mostra contém uma família e, também, um grupo de artistas que foi morar no mato. Agora faz crítica de dois ‎olhos, espelho e mundo, para ‎conceituar estes dois verbos: trabalhar é transitivo e direto, morar é reflexivo. A comunidade nasceu nos 70′, e só não perdeu força nesses quase quarenta anos, porque viver no mato não é nossa ‎prioridade: só é mais apropriado para esse viver de barro…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *