TUPI E O TROLOLÓ TRAMELADO

TUPI TOPADO DE HISTÓRIAS


Essa história de Tupi, começa com um tremelique de palavras. Mas pra ficar mais palavroso, tem que palavrear o palavrório atordoado, palavração das palavras. Já pensou na esquisitice das palavras? O que se pensa, quando são inventadas? A gente fala todo dia mas, de repente, parece que o sentido não combina, até parece pachouchada. Todo jeito é desse modo: Palavras podem começar com as mesmas letras, mas sempre terminam dum jeito diferente. Elas são como a gente, que tem famílias, tão parecidas são.

Mas com a gente é assim também: mesmo as caras parecendo, o jeito é diferente. As famílias das letras são muito grandes. A família dos tê, por exemplo, tem tatu e tupi. Eles parecem de cara, mas são coisas diferentes, um é bicho, o outro é gente. Agora, tem uma coisa: Muito mais que no dicionário, estas palavras ficam próximas, quando brincam no quintal. Mas vamos à história de Tupi…

TUPI E A TROÇA DO TATU


tupi

 

 


Lá no Barroló morava Tupi, é onde brincava o menino, nadica de titicas, vivia correndo atrás de bicho. Deus ajude esse menino, vó mexia o doce, vive só mexendo, é todo buraco e tanto que há bicho peçonhento… Mas vida de gente é assim, medo mora nela, mas não pode ficar nele que, no medo, tempo acaba e sobra nada.

Tupi, sempre na lida do tudo fazer de nada, fazia nada de tudo e contava contos, desenhava mundos no pensamento, na imaginação das coisas. Era viver sonhando de dia pra nem querer dormir de noite, que tomar banho é sofrido: Tupiiiii!, mãe gritava seu nome e soava longe, como sirene da fábrica. Tupi tinha de correr a saber o que mandava.

Num dia como esse e numa hora dessa, vinha correndo, quando viu tatu disparado na tapururuca. Não pensou, só pulou de cara na terra arada, foi uma correria danada. O tatu se enfiou num buraco e o menino agarrado, não soltava o rabo do danado. Aquilo sim, era força, mas tatu não saía pra nada. O menino cravou os pés pra cair de bunda na piçarra.

Foi aí que começou a algazarra: Tocantim, o velho, a olhar o sucedido, fumava o cachimbo sem pressa, e vendo aquilo pra nada, que nada fazia mesmo, a não ser fofocar, troçou de Tupi: eh, tocaieiro de touca! E Tupi, de lá devolveu: que que há, Tocantim tabaquento?! E caiu na gargalhada. Daquilo, Tupi saiu no meio da bagunça, de onde tudo começara, e pegou prego, madeira e martelo, era nova, essa invenção.

Ele gostava do desafio e tanto bateu cabeça que eis uma arapuca… coisa desengonçada! E armou sua coisa na boca do buraco e ficou ali perto. espiando de longe. Mais de hora depois, pontou o sinal do casquento, era a cabeça do tatu, mas fingiu que via nada. Mas era engano, tatu, muito esperto, quetou-se lá dentro.

Tarde chegou e mãe chamou: Vá lavar os pés. Tupi, meio contrariado, foi lá cumprir o mando, mas pensamento era tatu. A noite veio e não via hora; pulou cedinho, quase madrugada. Correu pra sua invenção e, já de longe, viu nada do cascão. Chegou sem fazer barulho e tirou a geringonça, e quando foi pra olhar lá dentro, tatu saiu desenfreado; e lá vai nova correria. Quem visse do alto os dois, via um ziguezague maluco.

Foi uma coisa maluca; donde o tatu partia, tupi não descolava, e corria pensando num jeito, lembrando da queda passada. Ai foi a ideia cascuda: Se eu lhe pegar pelo rabo, já sei como vou pego o cascoso. É que tatu sempre dá sorte e lhe aparece buraco. E foi com isso de novo, mas Tupi pegado no rabo, deu-lhe com a pinguela da arapuca no fiofó. Aí tatu não teve jeito, saiu apavorado.

Não é que Tupi desdenhasse, seguro na mão, o bicho, mesmo querendo fugir, deixou de ficar assustado e acostumou-se com Tupi. Os dois ficaram amigos; tatu morava no quintal, cavava lá seus buracos. O menino seguia fazendo outras invenções como esta, e já andava interessando no macaco do bambuzal. Mas tupi tem muitas histórias.

AGORA TENTA LER RÁPIDO O TROLOLÓ


Todo tapa tem tempo, tabela e tabuada. Tupi todo tempo tinha, treteiro com as tocaias. Tatu tava no trampo, tentando tirar a terra, Tupi tacou por trás, tentando tirar-lhe a tralha. Tatu trancado na toca, no tipiti, tanazado. Mas também tocou Tupi no timbó, e a treta terminou trazendo a troça do tropeçado: Tupi tocaieiro de touca! Tascou-lhe Tocantim. Tocantim tabaquento! Taxou Tupi, trancado nas tamancas. E tocou-se trampeando o tatu na terra tirada.


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